10 de janeiro de 2010

Impulso



Foi no dia da preguiça, de quem cansou de procurar, que ele me olhou de soslaio e chegou com aquele impulso solto, que só quem sente sabe o que é, coisa de dentro, passo de fé. Derrepente se fez muito: encheu de canto os meus cantos, me deu suspiros sortidos, abraços distribuídos -Ê coisa boa que perdura. Não cobrou fatura, me ama sem pesar e sem gastura. Não é daqueles amores que param por desgaste, maltratam ou enjoam (efeitos todos de paixão que sofre calada, explode pra dentro, paixão que esquece de quem gosta, rasga os defeitos, se camufla e vai embora igual chega: rápida, mágica e trágica).  
Só que agora,  penso nele toda hora, como quem respira e senta. Satisfeita me contento bem contente. Me embala a nova melodia de sinos de alegria, que invadiu meu lar, em forma de um par.

4 comentários:

poeta do inverno disse...

isto seria amor?
bem talvez sim ou não, mas não me importa,nossa a palvra soslaio e tão boa de pronunciar, uma delicia...assim como desvario, devaneio. solidão, andaluzia...melhor parar agora.

Passarelli disse...

Seis horas atrás de você, eu acordado, você dormindo, frio, deitado no meu quarto após um dia mega cansativo na faculdade, pronto pra dormir, olhando sua foto, lendo seu poema, sonhando com você, sonhando com a gente, morrendo de saudades, querendo mais do que tudo estar aí ao seu lado de mãos dadas. Te amo demais

Carlos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Carlos disse...

Interessante. É um tal arrebatamento causado pelo impulso vindo do encontro amoroso. E é uma declaração prosaico poética. E o que mais intriga é o fato do advento a partir de um dia de "preguiça, de quem cansou de procurar". E após, o efeito de preenchimento se torna canto e de canto, transforma-se em matéria, refletida nas ações: abraços e beijos. E de repente, vê-se no amor, neste amor, seu caráter não capitalizável, como podem ser os amores de só cobrança: dinheiros afetivos. Depois, irrompe que, deste amor não capitalizável, apareça a constância - contrária aos "efeitos todos de paixão que sofre calada, explode pra dentro, que esquece de quem gosta, rasga os defeitos, se camufla e vai embora igual chega: rápida, mágica e trágica".
E aqui há algo que perpassa os seus textos amorosos - esse sentido de perenidade, de continuidade, de amor que se firma, que não se efemeriza, que busca o amanhã pelo apreender o hoje. E isso acho bem interessante, bem bacana. E é aqui se confira isto : " penso nele toda hora, como quem respira e senta." E vem, em seguida, o sagrado que já disse ser bem alusivo nos seus textos - a figura do sino pra mim, remete a um contexto sagrado, além de uma idéia de soar harmônico.
Assim, o par seria isso, o sagrado, o harmônico, mas sob o invólucro destas condições dadas no texto?
Não sei dizer, mas espero que seja isto: para você.

Gostei do texto , Quel. Escreva mais, ando com saudades das suas sacadas poéticas, hehehe
beijos, Carlos.