8 de janeiro de 2010

Malva

Texto feito no dia 4/12/2009

Foi em alguma de suas tertullias que Malva percebeu sua solidão, entre algumas pessoas notou o quão sozinha era. Sempre fora rodeada por amigos, mas sentia que desaparecia entre a multidão que a cercava, que chamava seu nome mas não a conheciam e não sabiam da sua história. Sentiu-se só não somente  de pessoas, mas de sí. Percebeu que não descobrira-se, não sabia identificar seus sentimentos e as vezes se enganava tanto, que acreditava em suas próprias mentiras. No silêncio tentava fugir de sí, nunca parou para se observar e sentir seu corpo, nesse momento, ou colocava uma música, ou lia um livro ou ligava para alguém. O seu eu tentava confrontá-la,  mas ela se fazia surda para não escutá-lo.
Porém, quando descobriu essa solidão, pensou pela primeira vez na relação que tinha com o corpo que habitava e questinou se seria tratada de maneira diferente pelas pessoas se tivesse outro corpo e fosse um pouco mais baixa ou mais gorda. Também se questionou sobre o que realmente a deixava triste, porque as vezes mascarava um motivo de tristeza e o escondia, pois acháva-o tolo demais para ser considerado e também pensou no que realmente a deixava feliz.
Ficou alguns minutos repetindo o seu nome com os olhos fechados malva, malva, malva, malva, malva, e sentiu como se puxassem sua alma pela boca.
Passou as mãos no rosto e sentiu o formato do nariz, a concavidade dos olhos, a textura da sua pele, sua boca, o formato do queixo, as suas saliências e escutou sua respiração.
Pensou na infância e tentou resgatar desta o que contribuiu para que ela fosse ela, perguntou-se se seria a mesma se tivesse sido criada em outro ambiente e por outras pessoas, questinou sua essência, ela por acaso mudaria?
No dia que Malva ficou sozinha, ela gerou a Malva, que fez companhia para a Malva, até então sozinha.

2 comentários:

poeta do inverno disse...

faz me lembrar com este texto a importancia que dou a alma, tanto que as vezes esqueço que tambem sou corpo...com amizade

Passarelli disse...

Amor, me fez lembrar do impostor no livro de Brennam Manning... Te amo!