17 de agosto de 2009

Inspiração a partir do "Tema de amor de Gabriela"

Essa é uma música muito linda do maestro Tom Jobim (veja o vídeo no final do post), gosto especialmente da segunda parte que é o “Tema de Amor de Gabriela”:

Chega mais perto moço bonito
Chega mais perto meu raio de sol
A minha casa é um escuro deserto
Mas com você ela é cheia de sol
Molha tua boca na minha boca
A tua boca é meu doce é meu sal
Mas quem sou eu nesta vida tão louca
Mais um palhaço no teu carnaval
Casa de sombra vida de monge
Quanta cachaça na minha dor
Volta pra casa fica comigo
Vem que eu te espero tremendo de amor

Chega mais perto moço bonito
Chega mais perto meu raio de sol
A minha casa é um escuro deserto
Mas com você ela é cheia de sol
Molha tua boca na minha boca
A tua boca é meu doce é meu sal
Mas quem sou eu nesta vida tão louca
Mais um palhaço no teu carnaval
Casa de sombra vida de monge
Quanta cachaça na minha dor
Volta pra casa fica comigo
Vem que eu te espero tremendo de amor

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"Mais um palhaço no teu carnaval"

Ela já acordou de estômago embrulhado e com aquela sensação de vento frio que percorre por dentro de cada pedaço do corpo. Viu as horas e se perguntou de como podia ser tão fraca? Por que não conseguia fugir, fingir ou dar um jeito de se desvencilhar daquela situação que acabara faz tanto tempo? Porque que quando ela já estava esquecendo ele sempre voltava? E por que ela nunca resistia àquele amor antigo? Sabia claramente de todos os defeitos dele, dos seus novos amores e das suas aventuras. Era sempre assim: quando menos queria saber dele mais o descobria pelo avesso e via seus podres, só que ao invés de menos gostar mais pensava nele. O pensamento, essa coisa incontrolável, inevitável assim como essa rima, que nos toma pra qualquer mundo, situação e nos faz viver até aquilo que não foi.
Ele era o anti-herói, o malandro, aquele que ela sempre sonhara em secreto. Certa vez, ela procurou um culpado para essa atração que sentia por homens daquele estilo infame, pensou na infância e descobriu que os seus príncipes foram sempre o oposto daquilo que é o mais provável como um homem loiro, educado, rico e sorridente, ao contrário disso ,o seu primeiro amor platônico fora o Vasco, personagem de “Clarissa” e “Música ao Longe” de Erico Verissimo, solto no espaço, secreto, misterioso , desbocado , mal arrumado, selvagem , contestador e o amor da vida de Clarissa, mas como ela podia fugir dos símbolos e daquilo que foi costurado nas suas crenças? É dificil sair do nosso lugar-comum.
Mas agora não dava mais pra procurar culpados ou criar teoremas, hoje o encontraria e como todas às vezes, seriam as mesmas conversas temperadas de nostalgia, relembrariam sempre os mesmos momentos, se tocariam como que por acidente e ele a olharia fixamente por alguns segundos que seriam suficientes para deixá-la em puro estado de êxtase. No final de tudo ele diria que não estava pronto para retomar algo que nunca foi direito, porque dizer isso se ela nunca perguntou? Como ele podia ser tão canalha, tão cruel, arrogante e terrivelmente desejável? E como ela se entregava tanto a algo que sabia que era incerto? O que havia atrás dessa vontade de ter o que não se pode? Seria mimo? Vontade de controlar as situações? Ou apenas inconformismo de ser rejeitada?

Raquel Costa


4 comentários:

Anônimo disse...

Fuuuuuchiuuuuu!!!
Sorria esse é o ar da graça!

Alecs - (Phábrica)

Jorge disse...

Oi geeeeeeeennnnteeeeeee!!!!(Raquel comprimentando a galera)
Parabéns Raquel, muito legal, menina momentânea!! rsrs
bj

Jorginho, Jo®gito, Jho®jhow, Jorge

Clara disse...

Tom Jobim e um bom texto. Que bela combinação!
Gostei de verdade do seu blog.
Beijo.

Raquel Costa disse...

Clarinha querida! O texto está bem aquém do Tom Jobim! Mas oq vale são as tentativas hehehe