15 de agosto de 2009

O pior cego é o que vê

Tinha acabado de ler o “Ensaio sobre a Cegueira”, de José Saramago, quando por ventura assisti o curta “No Princípio Era o Verbo” ,de Virginia Jorge, e a partir deste vieram à tona pensamentos guardados dentro de mim, que eu mesma (enfática) desconhecia. O que mais me surpreendeu não foram os conceitos desses pensamentos, mais a concepção deles sem terem sido propriamente gerados, como se já fizessem parte de mim.

Para não haver conflitos com os existencialistas, vou explicar melhor esse “pensamento sobre os pensamentos”, durante a vida guardamos várias informações dentro de nós e essas vêm mediante a educação que tivemos, os livros que lemos, músicas que ouvimos, enfim, tudo o que vivenciamos . Muitas dessas informações permanecem ocultas dentro de nós, por não termos as ferramentas necessárias para compreendê-las, um exemplo concreto disso foi quando li o “Ensaio sobre a Cegueira”, a princípio, confesso que o romance não despertou em mim pensamentos filosóficos ou lições morais, pasmem que para minha ignorância não passou de uma história ficcional , mas ao assistir o curta “No Princípio Era o Verbo”, consegui compreender as mensagens que o livro trazia e absorvê-las novamente, só que de outra maneira, o documentário foi uma ferramenta para que eu pudesse realmente “enxergar” o que já estava “dentro de mim”, ou seja, uma informação precisou da outra para que houvesse uma compreensão mais aprofundada.

O que é de entristecer qualquer um é que com essa “aceleração do tempo” que vivemos, a maioria das pessoas deixaram de fazer coisas que exigem uma reflexão como, por exemplo, ler, assistir bons filmes ou até mesmo escutar boas músicas, e assim muitas pessoas estão se privando de conhecer a beleza que se esconde dentro de cada uma dessas coisas e delas mesmas, porque um aprendizado depende de outro para ser compreendido, e se não há informação, não há aprendizagem.

Notas sobre o livro e o documentário:

O livro “Ensaio sobre a Cegueira” tem na contracapa a seguinte frase “Se puderes olhar, vê. Se podes ver, repara.", citado do "Livro dos conselhos", de El-Rei Dom Duarte, este critica a realidade de até que ponto o homem pode chegar para a sobrevivência , nos coloca frente a frente com o nosso “podre” e com a questão do que somos capazes de fazer, mas a questão que me surpreendeu foi a cegueira de quem vê, mostra como as pessoas ficam submetidas a situações degradantes simplesmente por não enxergarem o que estão vivendo, um ponto interessante é que os únicos homicidas da narrativa são os que “ enxergam”, ele faz uma analogia interessantíssima com a questão da ignorância,do enxergar tudo superficialmente , da maneira que as coisas parecem, mas não como são.

O documentário “No Principio era o Verbo” é composto de cenas cotidianas de um bar, alguns homens conversando e jogando sinuca, dois cegos bebendo e um menino brincando no canto,a principal questão é a “cegueira” de quem vê ,o acreditar no que nos é conveniente, a acomodação que temos nas “certezas absolutas” .

"As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras." Nietzsche

2 comentários:

Pedro disse...

Quel, eu assisti esse filme esses dias! Mto bom, bjus subs

Vera Martins disse...

vc é uma princesa,
linda por dentro e por fora.
gosto de tdo q vc escreveu.
e de toda maturidade,
nessa carinha de anjo...
seja sempre assim, autêntica!
mesmo que se veja solitária
de vez em quando nesse caminho.
e no que depender de mim,
farei o melhor possível
pra ser amiga,
e também uma boa professora
técnica vocal pra você, viu?

super beijo querida!
verinha.